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ARRANJO

Substituição da Melodia Oitavada Abaixo em Arranjos a 4 Vozes

Como utilizar a quinta voz para enriquecer a harmonia e a sonoridade do arranjo

A escrita para quatro vozes é um dos fundamentos mais importantes do estudo de harmonia e arranjo. Entretanto, existem procedimentos que permitem ampliar essa textura sem abandonar a estrutura original a quatro vozes.

Um desses recursos é a substituição da melodia oitavada abaixo, procedimento associado ao estudo de arranjo de Ian Guest e particularmente interessante para quem trabalha com jazz, música brasileira, música instrumental, arranjos vocais e escrita para naipes de sopros.

A técnica merece atenção porque não deve ser confundida simplesmente com o tradicional dobramento da melodia em oitavas.

Aqui existe uma diferença fundamental: a melodia original permanece na voz superior, enquanto uma quinta voz é acrescentada uma oitava abaixo, podendo utilizar uma nota substituta relacionada à nota da melodia e à função harmônica do acorde.

O resultado é uma sonoridade mais rica, com maior densidade e possibilidade de utilização de extensões harmônicas como 9ª, 11ª e 13ª.

1. O arranjo a quatro vozes

Antes de compreender a técnica, precisamos estabelecer o conceito de quatro vozes.

Em uma escrita tradicional, podemos pensar em:

  • Voz 1 — soprano ou melodia;

  • Voz 2 — alto;

  • Voz 3 — tenor;

  • Voz 4 — baixo.

A estrutura pode ser aplicada tanto à escrita vocal quanto instrumental.

Por exemplo:

Cmaj7

Uma disposição possível seria:

  • Soprano: E

  • Alto: B

  • Tenor: G

  • Baixo: C

Temos quatro vozes reais formando a estrutura harmônica.

A melodia encontra-se na voz superior.

2. O que acontece quando acrescentamos o dobramento?

Quando acrescentamos uma segunda linha para reforçar a melodia, passamos a ter cinco notas.

Portanto:

4 vozes harmônicas + 1 voz adicional = 5 vozes reais

Esse detalhe é importante.

Embora tradicionalmente continuemos chamando o procedimento de “arranjo a quatro vozes”, quando a quinta voz é acrescentada fisicamente ao arranjo, estamos trabalhando com cinco linhas sonoras simultâneas.

A quinta voz pode ser entendida como uma voz de reforço ou enriquecimento da melodia.

3. O dobramento simples da melodia

No dobramento convencional, a quinta voz simplesmente repete a melodia em outra oitava.

Exemplo:

Melodia:

C — D — E — G

A voz inferior executaria:

C — D — E — G

uma oitava abaixo.

Teríamos:

Voz superior: C — D — E — G
Quinta voz: C — D — E — G, uma oitava abaixo.

Esse procedimento reforça a melodia.

Porém, existe uma possibilidade mais sofisticada.

4. A substituição da melodia oitavada abaixo

Em vez de simplesmente repetir a mesma nota da melodia, a quinta voz pode utilizar uma nota substituta, determinada pelo contexto harmônico.

A melodia original continua na voz superior.

A nova voz é colocada uma oitava abaixo da região da melodia, mas a nota pode ser modificada de acordo com a relação estabelecida entre a nota melódica e o acorde.

É justamente aqui que entra o conceito de substituição da melodia.

Um exemplo fundamental é:

1 → 9

Quando a melodia apresenta a fundamental (1) do acorde, a quinta voz pode utilizar a 9ª.

Por exemplo:

Cmaj7

Melodia:

C

Dobramento tradicional:

C, uma oitava abaixo.

Com substituição:

D, uma oitava abaixo.

Nesse caso:

  • Melodia = C (1)

  • Quinta voz = D (9)

A melodia original continua sendo C, mas a voz inferior acrescentada utiliza D.

O resultado é uma sonoridade mais aberta, pois a quinta voz passa a introduzir uma extensão harmônica.

5. Por que a técnica é tão interessante?

A diferença entre os dois procedimentos é significativa.

Dobramento tradicional

C + C

A mesma nota é reforçada.

Substituição

C + D

A melodia continua sendo C, mas o reforço passa a acrescentar uma nova informação harmônica.

Portanto, a quinta voz deixa de funcionar apenas como uma duplicação tímbrica e passa a exercer uma função de enriquecimento da sonoridade.

6. A importância da função harmônica

A substituição não deve ser aplicada de maneira mecânica.

É fundamental identificar primeiro a função do acorde.

Na harmonia tonal e funcional, podemos organizar os acordes principalmente em três grandes funções:

Função Tônica

Representa estabilidade e repouso.

Exemplos:

  • Imaj7

  • I6

  • vi7

  • iii7, dependendo do contexto.

Função Subdominante ou Predominante

Representa movimento e preparação.

Exemplos:

  • IIm7

  • IVmaj7

  • IVm7, em determinados contextos

  • acordes predominantes relacionados.

Função Dominante

Representa tensão e tendência de resolução.

Exemplos:

  • V7

  • V7(b9)

  • V7(#9)

  • V7(b13)

  • V7(#11)

A mesma nota melódica pode produzir resultados diferentes dependendo da função harmônica do acorde.

7. Quadro geral das possibilidades

O quadro abaixo apresenta uma organização didática das relações entre graus da escala, extensões e funções harmônicas. Ele deve ser entendido como referência para estudo, e não como substituto da tabela original de uma obra didática específica.

Grau da melodiaPossível relação de substituiçãoExtensão relacionadaAplicação principal

11 → 99ªAcordes maiores, menores e dominantes, conforme o contexto

22 → 99ªAcordes que admitem 9ª

♭3♭3 → #9 em contexto dominante#9Dominantes alterados/blues

33 → 13 em determinados contextos13ªMaior, dominante e algumas estruturas menores

44 → 1111ªMenores, sus e contextos em que a 11ª seja adequada

#4#4 → #11#11Principalmente sonoridade lídia e dominantes específicos

55 → 11 em determinados contextos11ªDepende da relação entre 5ª e 11ª

♭6♭6 → ♭13♭13Principalmente dominante alterado

66 → 1313ªMaj6, Maj13, m13 e dominantes

♭7♭77ªDominantes e acordes menores

777ª maiorAcordes Maj7

Atenção: a relação “grau → extensão” não significa que todas as substituições sejam universalmente intercambiáveis. O acorde, a escala disponível, a condução das vozes e a resolução devem ser considerados.

8. A substituição 1 → 9

Essa é uma das relações mais importantes para compreender o conceito.

Imagine:

Cmaj7

Notas:

C – E – G – B

Se a melodia for:

C

a quinta voz poderia utilizar:

D

uma oitava abaixo.

Teremos:

Melodia: C
Quinta voz: D

O D acrescenta a 9ª do acorde.

O ouvido continua reconhecendo C como a nota melódica principal, enquanto a voz inferior acrescenta uma nova dimensão à sonoridade.

9. Aplicação sobre acordes maiores

Nos acordes maiores, algumas das extensões mais importantes são:

  • 9ª;

  • #11;

  • 13ª.

Por exemplo:

Cmaj7(9)

Notas básicas:

C – E – G – B

Extensão:

D = 9ª.

Se a melodia estiver em C, uma possibilidade de enriquecimento da quinta voz é utilizar D em região inferior.

O mesmo raciocínio pode ser explorado com:

Cmaj7(9,#11,13)

C – E – G – B – D – F# – A

Naturalmente, não precisamos colocar todas essas notas simultaneamente. O arranjador escolhe as notas mais importantes para produzir a sonoridade desejada.

10. Aplicação sobre acordes menores

Nos acordes menores, as extensões 9ª e 11ª possuem grande importância.

Exemplo:

Dm7

Estrutura:

D – F – A – C

Extensões possíveis:

E = 9ª
G = 11ª
B = 13ª, dependendo do contexto.

Se a melodia estiver em D, a utilização de E na quinta voz pode criar:

D + E

Melodia + 9ª.

O resultado é particularmente interessante em arranjos de jazz e música brasileira.

11. Aplicação sobre acordes dominantes

É nos dominantes que a técnica se torna especialmente rica.

Um acorde:

G7

possui:

G – B – D – F

Mas pode receber diversas extensões e alterações:

  • A = 9

  • C = 11

  • E = 13

  • Ab = ♭9

  • A# / Bb = #9

  • Db = ♭5/#11

  • Eb = ♭13

A escolha dependerá da linguagem musical e principalmente da resolução do dominante.

Por exemplo:

G7 → Cmaj7

Uma quinta voz pode utilizar tensões em G7 que aumentem a atração para Cmaj7.

Esse princípio é fundamental na linguagem jazzística.

12. Dominantes alterados

Os acordes dominantes são especialmente importantes porque aceitam grande variedade de tensões.

Exemplos:

G7(b9)
G7(#9)
G7(#11)
G7(b13)
G7alt

As tensões alteradas podem produzir uma forte sensação de movimento em direção ao acorde de resolução.

Por exemplo:

G7(b9) → Cmaj7

A nota Ab, utilizada como ♭9 de G7, possui forte tensão em relação ao acorde dominante.

Esse tipo de procedimento é particularmente útil quando a quinta voz não deve simplesmente duplicar a melodia.

13. A função predominante

Em acordes de função predominante, como o Dm7 em:

Dm7 → G7 → Cmaj7

podemos utilizar extensões que mantenham o caráter de preparação.

O exemplo clássico:

Dm7 – G7 – Cmaj7

representa:

II – V – I

A quinta voz pode ser utilizada para conectar as três funções através de condução melódica.

Esse é um dos pontos mais importantes da técnica: não devemos analisar cada acorde isoladamente.

É preciso observar também para onde a música está indo.

14. A substituição deve considerar a condução das vozes

Uma boa substituição não depende apenas da nota disponível.

Devemos observar:

Movimento conjunto

Sempre que possível, uma linha melódica bem construída utiliza movimentos próximos.

Resolução das tensões

Uma tensão sobre um dominante pode resolver no acorde seguinte.

Registro

A quinta voz está uma oitava abaixo da melodia e, portanto, sua região é determinante para o equilíbrio do arranjo.

Cruzamento de vozes

Deve-se evitar que uma voz ultrapasse outra sem uma justificativa musical.

Densidade

Quanto mais notas acrescentamos, mais importante se torna controlar o espaçamento entre as vozes.

15. Quatro vozes + quinta voz

Uma maneira prática de visualizar o conceito é:

Voz 1 — Melodia
Voz 2 — Harmonia
Voz 3 — Harmonia
Voz 4 — Harmonia/Baixo
Voz 5 — Melodia substituída e oitavada abaixo

A quinta voz não deve ser confundida com uma quinta voz harmônica independente.

Ela nasce da relação com a melodia.

Podemos representar:

Melodia

C

Substituição

D

Oitava abaixo

D

Assim:

C — melodia original
D — quinta voz, uma oitava abaixo

16. Dobramento x substituição

Essa diferença é fundamental.

ProcedimentoVoz superiorQuinta vozObjetivo

DobramentoMelodiaMesma melodiaReforço

Dobramento em oitavaMelodiaMesma nota, oitava abaixoReforço tímbrico

SubstituiçãoMelodia originalNota substituta, oitava abaixoEnriquecimento harmônico

HarmonizaçãoMelodiaNota diferente dentro do acordeConstrução de vozes

Na substituição, portanto, a melodia não é alterada.

Quem é alterada é a voz adicional que acompanha a melodia em região inferior.

17. Exemplo completo

Considere:

Cmaj7 | Am7 | Dm7 | G7

e uma melodia simplificada:

C | A | D | G

A melodia contém, respectivamente:

  • C = fundamental de Cmaj7;

  • A = fundamental de Am7;

  • D = fundamental de Dm7;

  • G = fundamental de G7.

Com dobramento simples:

Melodia: C – A – D – G
5ª voz: C – A – D – G, oitava abaixo.

Aplicando a lógica de substituição 1 → 9:

Melodia: C – A – D – G
5ª voz: D – B – E – A

Temos:

  • C → D = 1 → 9

  • A → B = 1 → 9

  • D → E = 1 → 9

  • G → A = 1 → 9

Agora a quinta voz cria uma segunda linha melódico-harmônica.

O efeito deixa de ser simplesmente “melodia em oitavas” e passa a produzir uma textura mais sofisticada.

18. A técnica pode gerar uma segunda linha

Esse é um dos aspectos mais interessantes.

Quando aplicamos substituições sucessivas à melodia, a quinta voz começa a formar uma linha própria.

Por exemplo:

Melodia:

C – D – E – G – E – D – C

Substituição:

D – E – F – A – F – E – D

A segunda linha mantém uma relação sistemática com a melodia.

Portanto, o arranjador não está simplesmente pensando em acordes verticais.

Ele está criando também uma linha horizontal.

Esse é um princípio essencial do bom arranjo:

Harmonia vertical + condução horizontal.

19. O perigo de aplicar a técnica mecanicamente

É importante não transformar a tabela em uma fórmula automática.

O fato de uma extensão existir teoricamente não significa que ela sempre deva ser utilizada.

Antes de escolher uma substituição, devemos perguntar:

  1. Qual é o acorde?

  2. Qual é sua função?

  3. Qual é a nota da melodia?

  4. Qual é a extensão disponível?

  5. Essa extensão é compatível com o acorde?

  6. Para onde essa nota irá resolver?

  7. Como ela se movimenta em relação às outras vozes?

  8. O registro está adequado?

  9. A quinta voz está reforçando ou atrapalhando a melodia?

20. A importância do contexto

Considere novamente:

G7 → Cmaj7

No G7 podemos utilizar:

  • A = 9;

  • Ab = ♭9;

  • A# = #9;

  • C = 11;

  • Db = #11;

  • Eb = ♭13;

  • E = 13.

Mas cada uma dessas opções produz uma cor diferente.

Portanto, a substituição deve ser analisada em relação à função dominante e à resolução.

No jazz, por exemplo, a tensão frequentemente existe justamente para aumentar a expectativa da resolução.

21. Relação com II–V–I

Uma das melhores maneiras de estudar a técnica é utilizando progressões II–V–I.

Em C maior:

Dm7 → G7 → Cmaj7

Funções:

II → V → I

Podemos construir quatro vozes e acrescentar a quinta voz relacionada à melodia.

O estudante pode experimentar:

Versão 1 — dobramento

A quinta voz simplesmente duplica a melodia uma oitava abaixo.

Versão 2 — substituição

A quinta voz utiliza as substituições disponíveis para cada acorde.

Versão 3 — substituição com condução

As notas da quinta voz são escolhidas para produzir uma linha contínua entre II, V e I.

A terceira versão é especialmente importante para o estudo de arranjo.

22. A técnica aplicada a naipes

Esse conceito funciona muito bem para:

Saxofones

  • Alto 1 — melodia

  • Alto 2 — voz harmônica

  • Tenor 1 — voz harmônica

  • Tenor 2/Barítono — estrutura inferior

  • Quinta voz — melodia substituída, conforme a instrumentação

Metais

Pode ser utilizada entre:

  • trompetes;

  • trombones;

  • saxofones;

  • combinações entre naipes.

Vocais

Pode ser utilizada em arranjos para:

  • soprano;

  • contralto;

  • tenor;

  • baixo;

com uma quinta linha instrumental ou vocal quando a formação permitir.

23. A relação entre tensão e repouso

Um dos fundamentos da técnica é compreender que as extensões não possuem todas o mesmo grau de tensão.

Podemos pensar, de forma simplificada:

Estrutura → extensão → alteração → resolução

Por exemplo:

1 → 9

normalmente produz uma expansão relativamente suave.

Já:

1 → ♭9

em um dominante produz uma tensão muito mais forte.

Isso significa que a escolha da substituição pode contribuir diretamente para a construção da dinâmica harmônica.

24. Como estudar a técnica

Uma metodologia prática é começar com uma progressão simples.

Exercício 1 — I–VI–II–V

Em C:

Cmaj7 | Am7 | Dm7 | G7

  1. Escreva quatro vozes.

  2. Identifique a melodia.

  3. Acrescente a quinta voz.

  4. Primeiro faça o dobramento em oitava.

  5. Depois substitua a fundamental pela 9ª.

  6. Compare os dois resultados.

Exercício 2 — II–V–I

Dm7 | G7 | Cmaj7

Faça três versões:

A) dobramento simples
B) substituição da melodia
C) substituição procurando a melhor condução da quinta voz.

25. A técnica e a linguagem da música brasileira

Esse procedimento também é extremamente interessante para arranjos de música brasileira.

Em gêneros como:

  • bossa nova;

  • samba;

  • MPB;

  • música instrumental brasileira;

as extensões harmônicas são parte fundamental da sonoridade.

Uma melodia aparentemente simples pode ganhar grande riqueza quando acompanhada por uma quinta voz cuidadosamente construída.

Por exemplo:

Cmaj7 → A7 → Dm7 → G7

Pode ser tratado não apenas como uma sequência de acordes, mas como uma oportunidade para construir uma linha complementar abaixo da melodia.

26. Resumo do procedimento

O processo pode ser organizado em sete etapas:

1. Identifique a melodia

Determine a nota melódica em cada acorde.

2. Identifique o acorde

Descubra a estrutura e a função harmônica.

3. Escreva as quatro vozes

Construa inicialmente o arranjo tradicional.

4. Acrescente a quinta voz

Coloque-a na região inferior da melodia.

5. Determine a relação da nota

Pergunte:

A melodia é 1, 3, 5, 7, 9, 11 ou 13 do acorde?

6. Escolha a substituição apropriada

Utilize a relação prevista para aquele contexto harmônico.

7. Analise a linha resultante

A quinta voz deve funcionar não apenas verticalmente, mas também horizontalmente.

27. O princípio fundamental

Podemos resumir toda a técnica da seguinte maneira:

A melodia permanece.

A quinta voz é que é modificada.

Ela pode:

dobrar a melodia em oitava

ou

substituir a nota da melodia por uma extensão harmonicamente relacionada e executar essa substituição em região inferior.

Essa diferença aparentemente pequena produz uma enorme variedade de possibilidades para o arranjador.

Conclusão

A substituição da melodia oitavada abaixo é um recurso extremamente valioso para quem deseja avançar do simples conhecimento de acordes para uma verdadeira compreensão da escrita de arranjos.

A ideia fundamental é partir de uma estrutura de quatro vozes e acrescentar uma quinta voz relacionada diretamente à melodia. Essa quinta voz pode simplesmente dobrar a melodia em oitava ou, de maneira mais sofisticada, utilizar uma nota substituta determinada pelo contexto harmônico.

A relação 1 → 9 é um dos exemplos fundamentais: quando a melodia apresenta a fundamental do acorde, a quinta voz pode utilizar a nona, em região inferior. O resultado é uma textura mais rica, sem modificar a identidade da melodia principal.

Entretanto, a técnica não deve ser reduzida a uma lista mecânica de substituições. O verdadeiro domínio está em compreender a relação entre melodia, acorde, função harmônica, tensão, resolução, registro, condução das vozes e textura.

É justamente essa visão que transforma a técnica em uma ferramenta de arranjo.

Para o estudante de jazz, MPB, música instrumental ou arranjo para naipes, o exercício mais produtivo é escrever uma mesma passagem de três maneiras: primeiro com quatro vozes; depois acrescentando a melodia dobrada em oitava; e finalmente utilizando a quinta voz com substituições. A comparação auditiva revela imediatamente como pequenas alterações na distribuição das notas podem transformar completamente a sonoridade do arranjo.

FAQ — Perguntas frequentes:

O arranjo continua sendo chamado de quatro vozes quando existe uma quinta nota?

A estrutura harmônica original continua sendo pensada como quatro vozes, mas, quando uma quinta linha é efetivamente acrescentada, temos cinco notas ou linhas sonoras simultâneas. Por isso, é mais preciso falar em arranjo a quatro vozes com quinta voz de dobramento ou substituição da melodia.

A quinta voz substitui a melodia original?

Não. A melodia original permanece. O que é substituído é a nota utilizada pela voz adicional, que fica em região inferior à melodia.

Qual é o exemplo mais simples da técnica?

A relação 1 → 9. Se a melodia estiver na fundamental do acorde, a quinta voz pode utilizar a nona, em vez de simplesmente dobrar a fundamental.

Posso aplicar qualquer substituição em qualquer acorde?

Não. A substituição depende do acorde, da função harmônica, das tensões disponíveis, da escala correspondente e da condução das vozes.

A técnica funciona para saxofones?

Sim. É particularmente interessante para naipes de saxofones, metais e arranjos mistos, desde que o registro e o equilíbrio entre os instrumentos sejam cuidadosamente controlados.

Qual é a diferença entre dobramento e substituição?

No dobramento, a quinta voz repete a mesma nota da melodia em outra oitava. Na substituição, a quinta voz utiliza outra nota relacionada harmonicamente à melodia original.

A técnica é útil para improvisação?

Indiretamente, sim. O estudo das substituições ajuda o músico a compreender a relação entre notas da melodia, extensões dos acordes e tensões disponíveis, conhecimentos que podem ser aplicados posteriormente à improvisação.

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Aviso didático

Este artigo apresenta uma explicação conceitual e didática da técnica. A nomenclatura e as relações apresentadas devem ser confrontadas com a fonte específica de Ian Guest quando o objetivo for reproduzir exatamente sua tabela ou metodologia original. A relação 1 → 9, por exemplo, deve ser entendida dentro do contexto harmônico em que é utilizada, e não como uma regra universal para qualquer acorde.

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